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Jovens criam projeto com sementes de plantas frutíferas e medicinais em Santarém

O Projeto Infrutescência busca garanti alimentos e remédios para as populações do Tapajós.

Por: Allan Hills

Se alguém lhe perguntasse: quantas árvores você já plantou para ajudar o planeta? Essa mesma pergunta foi feita para a jovem Lytheisa Souza, que passeava por uma comunidade na região do Tapajós. Ela ficou com a pergunta na cabeça e percebeu que a partir dali precisava fazer alguma coisa para ter uma resposta e principalmente ajudar o meio ambiente. Em busca de uma resposta, Lytheisa contou com ajuda de sua amiga Andreza Peixoto, e ambas passaram a compartilhar da mesma aventura.

Pode até parecer uma ficção ou bobagens pra muitos, mas foi a partir daquela pergunta que as duas amigas criaram um projeto com intuito de ter frutos e comida limpa para a atual e também as futuras gerações. E agora, nós do Movimento Tapajós Vivo, vamos compartilhar com você sobre o Projeto Infrutescência.



O Projeto Infrutescência é desenvolvido e criado por mulheres, que buscam garanti frutos, comida limpa, gratuita e acessível para as populações da região do Tapajós. Além de ter árvores frutíferas e plantas medicinais, a ideia é ter outros tipos de frutos, que é da reciclagem, da reutilização e com isso manter o planeta vivo de forma agroecológica e sem veneno.

O objetivo é continuar ciclos, onde as sementes que provavelmente iriam para o lixo, são coletadas e voltam para a terra. São utilizados sacos de alimentos não perecíveis, que ganham outra destinação.

Andreza Peixoto, bacharelada em Ciências das Águas e Ciências Biológicas, é uma das fundadoras do projeto, explica que o adubo das plantas é retirado de um espaço abandonado perto de sua casa, e dessa forma usam sempre o que está a seu redor.

“O adubo que a gente utiliza é aquele que encontramos atrás da nossa casa, onde era uma antiga serraria, e tem uma pilha de serragens...O tempo todo nós estamos buscando aproveitar o máximo do que estar ao nosso redor, do que já existe. Como não temos recursos para comprar materiais, e nós duas sendo jovens buscamos oportunidade, onde tem oportunidade. E isso acontece quando vamos até as pessoas e coletamos as sementes, coletamos os sacos plásticos.”

E dessa forma o projeto ajuda a natureza, onde as sementes são plantadas, cuidadas até que atinjam um tamanho razoável para serem disponibilizadas para a população.



Lytheisa Souza, estudante do curso de gastronomia e cofundadora do projeto, conta que além de mudas de plantas frutíferas, o infrutescência possui a farmácia natural, composta por mais de 15 plantas medicinais, e é fundamental para que a população tenha acesso ao conhecimento que vem dos antepassados.

“Nós temos a nossa farmácia natural, para que as pessoas aqui da Amazônia continuem tendo acesso a esses remédios e esses conhecimentos ancestrais, que oferece uma cura natural e gratuita. Com isso eu quero que a nossa geração e as futuras gerações continuem tendo acesso a esse método de cura, sem precisar se encher de remédios encapsulados em plástico, que muitas vezes faz mal. Então a nossa missão é disponibilizar para as pessoas esses remédios vivos e verdes, que não maltratam o meio ambiente.”

Vale ressaltar que o projeto também realiza a reciclagem, e trabalham com recolhimento de pets, alumínios e papelões, e depois são entregues para catadores que tiram sua renda da coleta desses materiais. O projeto Infrutescência já tem dois meses de fundação e já conta com mais de mil mudas de plantas frutíferas e medicinais.

Você encontra o Projeto no Instagram: https://instagram.com/infrutescencia_



Imagens divulgação do Projeto Infrutescência:


















Comentários

  1. Boa sorte pra vcs meninas, que projeto lindo demais. 😍❣ Orgulho de vc miga Andreza 💙

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