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Encontro virtual: Resistências frente à mineração nos territórios tradicionais

Representantes do PAE Lago Grande, PAE Juruti Velho e Quilombo Sítio São João compartilham suas lutas através de live

Por: Allan Hills



“Encontro das Águas: Resistências frente à mineração nos territórios tradicionais” foi o tema da live organizada e transmitida pelo Movimento Tapajós Vivo em parceria com o Coletivo Tapajós de fato. O encontro virtual aconteceu na noite desta quinta feira(15), com participação de militantes e lutadores sociais das regiões do Lago Grande, Juruti Velho e Quilombo Sítio São João, no estado do Pará.

O objetivo foi compartilhar as vivências e resistências de cada participante em seus territórios frente à mineração, que tem sido um grande problema tanto no âmbito social quanto ambiental.

A primeira convidada foi Sandra Amorim, militante do MAM, que mora na comunidade Quilombo Sítio São João, município de Barcarena, que destacou o desastre que a mineradora Hydro Alunorte tem causado para os rios da sua região. Sandra lembrou que a poucos anos atrás ela teve a oportunidade de ir ao estado de Minas Gerais e viu de perto o que a mineração causa aos rios e igarapés, mas que na época não imaginava que logo depois, o mesmo problema estaria acontecendo ao seu redor. Ainda segundo ela, os moradores já sentem na pele os danos que a mineração pode causar, um exemplo é a mudança na coloração do rio Pará, onde as pessoas já começaram a ter coceiras, entre outros sintomas.

“A mineração, ela vai acabando. Nós tínhamos um rio chamado murucupi, nome este que vem do indígena, e esse rio praticamente ele está morto. E mesmo estando morto as pessoas tomam banho nele, comem o peixe dele... e a gente sabe que dentro destes peixes tem muito metal pesado, assim como tem no rio Pará... A contaminação da água tá longe... O quilombo onde eu moro não pode ser cavado poço, pois são mais de 35 anos que tem dois lixões próximo e o chorume já está na terra.”

O segundo convidado foi Darlom Branches, integrante da Pastoral da Juventude, que mora na comunidade Itacumini, PAE Lago Grande, município de Santarém, que falou de como tem sido resistir e defender o território no atual cenário com  a pandemia do covid-19, que impossibilita o encontro presencial com as populações da região para alertar sobre os riscos da mineradora. Darlom lembrou da romaria da juventude que foi um evento muito proveitoso que aconteceu dentro do território e fortaleceu a luta contra a mineração que está tentando adentrar na sua região.

“Nós não queremos a destruição. Minha casa fica perto do rio e de lá tiro o peixe pra me alimentar. E se a mineradora entrar aqui no PAE Lago Grande, isso pode acabar. Com a mineração, o que vai ser do nosso futuro, o que vai ser das nossas florestas, dos nossos rios, dos nossos igarapés... Não queremos isso pro nosso PAE Lago Grande. E eles estão assediando os moradores, prometendo o que não existe. E nós vamos lutar para que a mineração não chegue aqui no Lago Grande”

O terceiro e último convidado foi Márcio Sanches, coordenador do conselho administrativo da ARCOJUVE que mora na comunidade São Francisco do Barro, no assentamento PAE Juruti Velho, munícipio de Juruti, que iniciou sua fala destacando a importância das águas para as populações e também que a luta tem sido incansável nos últimos 17 anos contra a mineradora ALCOA dentro do seu território.

“Hoje quando nós falamos de mineradora, a ALCOA é um grande exemplo péssimo de mineração. O povo tem sofrido consequências muito graves sobre a questão minerária, e a nossa luta tem sido uma luta conjunta, e nesses 17 anos já conseguimos 3 direitos, pelo menos está documentado. É uma empresa que trouxe e traz muitos danos para nossa região tanto ambiental quanto social, e nunca recebemos nenhuma indenização por perdas e danos.”

A live foi mediada por Marcos Wesley, militante do MTV e transmitida pelo facebook do Movimento Tapajós Vivo e Tapajós de Fato.

 Veja a live no link a seguir: 

https://fb.watch/4VFNsuaman/

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